
A "imprensa pink" surge na história do jornalismo brasileiro como uma forma de mídia alternativa, que fez ouvir vozes e criar novos padrões de comportamento na sociedade. Através desse veículo as minorias tiveram a oportunidade de alcançar visibilidade e lutar contra posturas incentivadoras do preconceito que deram origem a episódios lamentáveis, como agressões, atentados e assassinatos. Os jornais e revistas possibilitaram a difusão de ideologias e construção de representações que permitissem uma melhore inserção dos homossexuais no cenário social.
A representação do gay na imprensa brasileira acontece antes das publicações voltadas para o gênero:
1904 - A revista humorística
O Malho publica uma charge e poema irônico satirizando os homens que se reuniam na Praça Tiradentes para encontros sexuais ou afetivos com outros homens.
1914 - A revista
Rio Nu publica o conto
O Menino do Gouveia, referenciando os homens de meia idade que se envolviam com rapazes jovens.
O aparecimento das publicações voltadas para o público homossexual assume o gênero de coluna social, através de periódicos impressos que circulavam entre amigos. Alguns deles transitava de mão em mão através de um exemplar único. O periódico
O Snob (1963 - 1969) foi o mais famoso do período, com notícias e informações do mundo das "bichas", "bonecas" e "bofes".
No ano de 1977 surgiu o
Lampião da Esquina, com linguagem diferente, com discurso político em torno de uma nova identidade para o público homossexual, que até então estava acostumado com as fofocas e notícias sobre festas. O lançamento dessa publicação coincidiu com a explosão da pornografia no cenário nacional. O
Lampião encerrou suas atividades em 1981, quando resolveu focar na publicação do homoerotismo e perdeu a maioria dos seus leitores.
A década de 1990 representou a explosão mercadológica da imprensa alternativa para gays:
(1995 - 2000) -
Sui Generis - trazia em suas páginas matérias e discussões sobre comportamento, saúde, cidadania, cultura e moda. As capas da revista eram marcadas por personalidades da mída, gays assumidos ou simpatizantes, com afirmações e entrevistas relacionadas a orgulho, identidade e atitude gay.

(1997 - 2004) -
Homens - publicação dos mesmos editores da
Sui Generis, com conteúdo abertamente sexual, trazendo ensaios de nu masculino e teor pornográfico em suas matérias, que se relacionavam de forma íntima com o sexo.

(1997- até os dias atuais) -
G Magazine - surgiu com o nome de
Bananaloca e após a quinta edição assumiu o nome de
G Magazine. No começo, possuía um conteúdo sexual forte, mas com o tempo foi trazendo matérias de interesse humano, como comportamento, cultura, moda e saúde. Mas ainda prevalecem os ensaios de nu masculino, que são o grande atrativo da revista.

(2007 - até os dias atuais) -
Junior - a publicação traz opções variadas para o público gay, com matérias referentes a moda, comportamento, cultura, turismo e fitness. O conteúdo e linguagem da
Junior são de fácil acesso, com entrevistas com gays assumidos e opções de lazer, mas sem o nu masculino presente nas capas, apesar de ter fotos apimentadas com modelos internacionais e nacionais.

(2007 - 2009) -
DOM - De Outro Modo - publicação surgiu como uma revista "heterofriendly", trazendo na capa personalidades da mídia que não eram gays, centrando a maioria do conteúdo na vaidade masculina, através de matérias de moda, comportamento, cultura, sem a presença de ensaios de nu masculino. Foi uma revista mais voltada para os metrossexuais brasileiros.

(2008 - até os dias atuais) -
Aimé - Primus inter pares - a revista apareceu com uma diagramação rica em imagens e matérias sobre comportamento e moda. Não é uma revista que apresenta conteúdo sexual. Deixou suas atividades por um tempo, mas volta e meia eles decidem fazer uma nova edição, que não chega às bancas de todo o país.

É. Nessa linha evolutiva da imprensa pink nacional, uma coisa não podemos deixar de lembrar: parece que o gay brasileiro está deixando de colocar a pornografia como prioridade nas leituras e está aderindo a um conteúdo mais diversificado, melhorando inclusive a sua visibilidade perante a sociedade.
por Leo Vlach